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A Mixórdia Coletânea II: Prophets Of Destruction

Mictlan ou Inframundo… era o submundo da mitologia Asteca pelo qual, arduamente, a maioria das almas humanas peregrinavam em direção ao extremo Norte, rumo ao tormento de provações em nove níveis distintos. Alfim, alcançar a Paz da eternidade.

Recentemente, em 2 de Março, A Infernal Family Crew lançou seu primeiro mefistofélico V.A., compilado pelo mexicano Czar Psikcopata, manager da IFC, e pelo dinamarquês Snuratekk, artista nato, produtor musical e designer.

Mathias Christensen (aka Snuratekk) atua na cena underground da Europa desde 2004. Sendo proprietário da Sonic Contrast Beings – Record Tribe onde dissemina novos artistas psicodélicos e promove suas artes. Além da SnurArt Design que produz diversas peças de roupas customizadas.

Segundo Mathias, não houve nenhuma seleção de track ou manipulação na criação dos artistas. Apenas foram invocados… A ideia é que todos se sintam livres para a mais pura expressão. Sendo assim, todos guiem o caminho da história.

O V.A. é repleto de frequências experimentais sutis, fractais oblívios de obliteração, atmosferas perturbadoras e diabólicas que induzem a pessoa a extrema histeria ou contemplação em meio ao caos.

Prepare-se para aniquilação de sua percepção acerca de bpms!!!

Creepy Track List:

1. Ra – Horror (xxx bpm)

2. Cosmic Wizard – Monita De Guayaba (205 bpm)

3. Bhassam – Island Of The Dolls (xxx bpm)

4. Multikhauzal – Agares (xxx bpm)

5. Audionimus – Sasfire (220 bpm)

6. MinDelve – Secret Basement (300-xxx bpm)

7. Belfegor – Daemoniorum (222 bpm)

8. Azark – Mortuus Inferni (215 bpm)

9. Dravna – Destruction Is A Form Of Creation (260 bpm)

10. Khorshid – Just My Imagination (xxx bpm)

11. Annalah – Perversion Of The Virgin (215 bpm)

12. ShamoOrtee – Beauty Macrocosom (245 bpm)

13. Snuratekk – Alfablòt Ritual (20/460 bpm)

14. Dajjal – Dimension Of Darkness (220 bpm)

15. K-Owl – Whispercraft (xxx bpm)

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Versão completa:

Infernal Family Crew Bandcamp Page: https://infernalfamilycrew.bandcamp.com/

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A Mixórdia Coletânea I: Aureum Horologium

A essência de nossa realidade/dualidade: histeria e serenidade; paz e caos são ressonadas e guiadas pelos conterrâneos das terras dos altos BPM’s.

Atualmente, no dia 1º de Agosto do decorrente ano, o Dj produtor austríaco Alex  Dimoiu, também reconhecido por The Mogli, devido seu notório envolvimento com produtores, reuniu faixas de contribuições de novos projetos sonoros da cena underground do mundo. Segundo Alex, a ideia de fazer o álbum surgiu por meio de uma amiga da gravadora Hippyflip, a djane produtora Faina, no momento em que iniciaram um projeto juntos, Nectribus. Além disso, ressalta a ajuda recebida pelos amigos, como a masterização das faixas feitas pelo Nocturne’s Creatures e a realização do lançamento desta épica coletânea pela Label Hyprid Records.

A Hyprid Rec. é uma independente gravadora austríaca fundada por Peter K. (Zhoprenica/Kypernetic) e David M. (Paratax) em 2011, Salzburg. Constituída com o intuito de disseminar música eletrônica de gêneros como Darkpsy, High Tech, Psycore, N.A.P. (New Age Psychedelic) e experimentações em sublimes frequências.

Neste sentido, a label expõe a visão de vislumbrar e recriar novas áreas e aspectos anormais de se desfrutar a música. Afinsal a música é formada de matéria infinita e atemporal.

Particularmente, vejo como fulgor de despertar e incentivo à exploração de frequências e sonidos audíveis ainda não habitados do que vêm para o mundo. O álbum progredi de 180 à 230 BPM’s, difundindo total experimentalismo de estilos elevados da cultura eletrônica underground.

Alex enfatiza que os artistas foram selecionados devido o estilo de produção de cada um, são músicas propriamente intensas, profundas e repletas de energia. Apreciem:

  • Tracklist:

01. Riptide – My Horse is a Raver (180 BPM)
02. Unreal Sign – Psychedelic Teknotizm (185 BPM)
03. Nocturnes Creatures – Aureum Noctis (188 BPM)
04. Audiokidnapping – Fame Bitch (190 BPM)
05. Psylocida – Ouroboros (196 BPM)
06. Lova – Lets Dance (202 BPM)
07. Spakum Hupakum – Corrosive Drops (202 BPM)
08. MantiCore – Growth is pain(ful) (204 BPM)
09. Psyloairlines – Omega (210 BPM)
10. Alien Hardware meets Osiris – Sacred Deathstar (210 BPM)
11. Zhoprenica – Calibrate 1111 System
12. Kontaton – Vortex (215 BPM)
13. Alpscore – Nuway (200-220 BPM)
14. Logic Psycho – Overstimulation (220 BPM)
15. Mirror Me – Aureum Phareum (225 BPM)
16. Aloc – Overlook Hotel (230 BPM)

cover

Obtenha a versão completa:
Hyprid Rec page: http://www.hypridrecords.com/va-aureum-horologium/

The Mogli Bandcamp page: themogli.bandcamp.com/album/v-a-aureum-horologium

O Jângal de Awwen

Awwen é o projeto musical do jovem produtor, Charlie Montero. Nasceu na Espanha em 1985, em Galícia também conhecida por Galiza, onde cresceu rodeado de Montanhas e Vales, sob a forte remanescência da cultura céltica que inspira-o em suas jornadas musicais.

  • Trajetória artística:

Em 2009, Ainda muito jovem, Charlie iniciou seu despertar pela música, quando foi vocalista em uma banda chamada Crust Punk em Barcelona. Durante o mesmo ano, começou a frequentar eventos undergrounds de cultura eletrônica de Psytrance. Seu envolvimento ampliou pela cena eletrônica quando se mudou para Amsterdã, aprendeu técnicas de Dj e apresentava-se em festas pela região.

Em 2011, já havia identificado seu estilo e aprofundou seu aprendizado sobre produção sonora, a fim de vivenciar a criação de seu próprio som.

Em 2012, com o amadurecimento das experiências de produção, decidiu criar um novo projeto de trance psicodélico. Dando origem ao Awwen.

Em 2014, surge uma ideia coletiva com seus amigos da cena psicodélica, devido partilharem o mesmo gosto musical, decidiram fundar o novo selo de música baseado em sonoridades obscuras, a GloOm Music Records. A gravadora promove subgêneros contemporâneos, como Twilight (Nightpsy), Forest e Groove. Atualmente, a label é gerenciada somente por Awwen e está focada para representar os talentos de todo o mundo, no intuito de gerar uma grande família e propagar a cultura!

  • Interação artística:

O projeto é concebido para a noite, porém podendo transitar entre diurno e noturno. De modo a explorar frequências psicodélicas decorrentes das sombras, desencadeando atmosferas profundas e subterrâneas, evoluindo de ruídos retorcidos de sons à ligações orgânicas de ambientações.

Em 21 de Novembro de 2015, a GloOm Music Records realizou o . GloOm Music Label Party Ibiza em Baba Yaga club, puerto de San Migue, Ibiza. O encontro propagou a intenção da gravadora, proporcionando uma noite inteira de sons noturno, além de comemorar os 2 anos de caminhada da Label.

Baba Yaga club, puerto de San Miguel, Ibiza 21-11-2015

Recentemente, em 25 de março de 2016, participou do evento Dark Energy, situado em Hanôver, Alemanha.

Em 14 à 18 de Abril, esteve presente na celebração de um dos festivais inovadores na Europa, precisamente na Espanha, Barcelona, o Own Spirit Festival. Por meio da experiência individual e coletiva vivida, o festival promove um despertar para um novo mundo, onde o ser humano por meio do amor, a união e o respeito convivem em total harmônia com a natureza. Nesta 2ª edição, expande novos espaços e áreas para a mais profunda proposta psicodélica, a cura:

The Temple of Frequencies (O Templo de Frêquencias): O cenário destinado ao Chill Out para disseminar diferentes estilos, como Psy-Dub, Experimental,  Downtempo, Rock psicodélico, psytechno, etc.

Conscient Family (Família Consciente): Um lugar dedicado a fortalecer o vínculo entre pais e filhos colocando suas mãos nos jogos e oficinas para que eles possam aprender e se divertir ao expandir sua consciência.

Healing Area (Área de Cura): Dedicado à honrar a divindade dentro de nós, lembrando-se do poder da Universal Energia Sanadora. Tendemos terapeutas qualidade humana, comprometida com o trabalho de fornecer conhecimento.

Dance Floor (PISTÃOOOO!!!!): Contou com a presença de 30 Lives e 40 Djs-sets que definitivamente não deixaram o público parar de dançar.

Awwen Live@Own Spirit Festival 2016

Durante 22 à 25 de Abril,expôs seu Live act no Konfussion Festival, Badajoz, Espanha. Em sua 3ª edição, hipnotizou o público com o tema dedicado à geometria sagrada, que contempla as ligações tênues que configura nossa realidade, desde as moléculas mais minúsculas às fascinantes constelações estelares existentes.

KONFUSSION 2016 22-25 abrilKonfussion

No decorrer do dia 13 à 16 de Maio, ocorreu a 2ª edição do La La Land, e Awwen foi convocado ao Line-up, apresentou-se na noite de sábado. O fato curioso desse Open Air, é propagar um incentivo similar ao Mundo de Oz, constituindo uma organização que busca a autossuficiência, sustentabilidade e continuidade. Sendo disponível, naturalmente, duas fontes de água no local e um pequeno riacho para refrescar-se.

la la land

La la land flyer

Enquanto que dia 18 à 19 de Junho, situado as margens de um lago próximo as montanhas de “Pirineo Catalán, fronteira entre Espanha e França, ocorreu o evento Kundali Lake. Um grande espaço público de Open Air com duração de 20hrs (fora o after) e limite para 400 pessoas, expressando bastante arte, cultura e evolução do movimento underground na cena eletrônica.

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Atualmente, no decurso do dia 14 à 21 de Julho, estará selecionado para apresentar-se num dos Festivais mais cogitados do ano, Kali Mela Festival, localizado próximo de Berga, Espanha. A cerimônia ritualística será limitada para a capacidade de 2000 pessoas. Moldado para propiciar a evolução no tempo, juntos, unidos vivenciando aprendizados, ensinamentos e celebrando a cultura e artes visionárias, através da convivência sustentável e ecológica entre nós (respeito) e a Mãe-natureza (harmônia). A celebração viabiliza uma massiva experiência, por intermédio de vários cursos, workshops, e demonstrações sobre diversos tópicos de Xamanismo, Meditação, Yoga, Tantra, Permacultura, bioconstrução, sustentabilidade agrícola, base de plantas medicinais e terapêuticas, e muito mais. Ademais, 3 stages estarão vibrando a sonoridade energética do puro underground. Para mais informações, clique aqui.

kali mela

  • Entrevista:

A.M.E: At what point in your life, do you feel inserted into the world of music? [Em que momento em sua vida, você se sentiu inserido no mundo da música?]

CHARLIE: Hi!!!!! I started to be interested about music very young, I started to play as singer in a Crust Punk Band in Barcelona in 2009. But that year in Barcelona I started to be regulas at psy trance parties. [Oi!!!!! Eu comecei a ser interessado por música muito jovem, iniciei a tocar como vocalista na Banda Crust Punk em Barcelona, 2009. Mas naquele mesmo ano, em Barcelona, comecei a estar regularmente nas festas de psytrance.]

A.M.E: What did fascinate you enough to be wrapped by electronic music? [O que te fascinou a ponto de estar envolvido pela música eletrônica?]

CHARLIE: I started to go to psy parties more about the people, at first i didn’t found my style until some time later, after i fall in love about Groove and forest. [Eu comei a ir para festas mais pelas pessoas, em primeiro lugar não encontrei meu estilo até algum tempo, depois cai de amor por Groove e Forest.]

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A.M.E: When did you begin your career as a producer? [Quando você iniciou sua carreira de produtor?]

CHARLIE: I started to make music in 2011-2012 but i learned very fast because i love this genre, Awwen was born in the end of 2012. [Comecei a fazer música em 2011-2012, mas eu aprendi muito rápido, pois amo este gênero. Awwen nasceu no final de 2012. ]

A.M.E: Where did come the name “Awwen”? [De onde veio o nome “Awwen”?]

CHARLIE: The name “awen” is a symbol from celtic culture, i live in Galicia, Spain, where we have a strong celtic culture. Then I put second w to be called Awwen. This symbol means the power of the creativity. [O nome “awen” é um símbolo da cultura céltica, nasci em Galicia, Espanha, onde nós temos uma forte cultura cética. Então eu coloquei o 2º “w” para ser chamado Awwen. Este símbolo significa o Poder da Criatividade.]

A.M.E: Does the Awwen project occupy a long time of your day? [O projeto Awwen ocupa bastante seu dia?]

CHARLIE: Yeah! I’m also owner from GloOm Music Label and I am every time in the computer managing the label, or in the studio making new tunes or traveling making Live Sets. Also I started a new forest project called Uzz. Now I’m finishing the Uzz Live Set. [Yeah! Eu também sou dono da gravadora GoOm Music e estou sempre no computador gerenciando a label, ou no estúdio fazendo novas músicas ou viajando criando Live Sets. Também iniciei um novo projeto de Forest, chamado Uzz. Agora, estou terminando o Uzz Live set.]

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A.M.E: What inspire you in your artist’s life style? [O que te inspira em sua vida artística?]

CHARLIE: Everything is an inspiration with forest and groove psy trance, I live in the mountain where I can get a big inspiration looking trough the window and seeing the nature. [Tudo é uma inspiração com Forest e Groove psy trance, eu vivo nas montanhas, onde posso conseguir uma grande inspiração olhando através da janela e vendo a natureza.]

A.M.E: Today, what are your main influences? [Hoje em dia, quais são suas principais influencias?]

CHARLIE: Mmm… my main influences are the big groove-forest producers from european labels like sangoma, parvati, vantara, etc. [Mmm… Minhas principais influências são os grandes produtores de groove-forerst das gravadoras européias, como Sangoma, Parvati, Vantara, etc.]

A.M.E: Do you play some instrument? Which? [Você gosta de tocar algum instrumento? Qual?]

CHARLIE: yeah! I play flute and a little bit piano. [Yeah! Eu toco flauta e um pouco de piano.]

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A.M.E: About your creative process. How happens? [Acerca do seu processo criativo. Como ocorre?]

CHARLIE: Normally I spend a lot of continue hours, if I start a track i can stay six days into the studio until is almost finished. [Normalmente, eu eu gasto muitas horas contínuas, se eu iniciar uma faixa, posso ficar 6 horas dentro do estúdio até está quase pronta.]

A.M.E: Usually. What do you seek to transmit in your soundscape? [Normalmente. O que você busca transmitir em sua sonoridade?]

CHARLIE: I try to transmit really psychedelia with a bit of funny dark inside, normally I try to give a evolution starting more groove or with more light and finishing giving a forest touch more dark. [Eu tento transmitir realmente psicodelia com um pouco de graça interior obscura, normalmente tento dar uma evolução começando mais Groove ou com mais luz e finalizando dando um Forest com toque mais noturno.]

A.M.E: Which programs that you use to create music? [Quais programas tu utilizas para criar músicas?]

CHARLIE: Ableton Live, i started. But now i use cubase a bit too. Also I have a Access Virus ti synth to make almost all the sounds. [Ableton Live, comecei. Mas agora, eu uso cubase um pouco também. Idem, eu tenho um Access Virus TI sintetizador para fazer quase todos os sons.]

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A.M.E: For you. Which does the primordial essence to create melancholic melodies and obscure? [Para você. Qual a essência primordial para criar melodias melancólicas e obscuras?]

CHARLIE: I think that the combination of the notes can give to the track that you are looking for, but for sure depends a lot about the bassline note. [Eu penso que a combinação das notas podem dar para a faixa o que você está procurando, mas com certeza depende muito da nota do bassline.]

A.M.E: Sometimes I feel in the middle of Amazon when I’m envolved by your loudness. Do you use photographic tracks in your sounds? [As vezes me sinto em plena Amazônia quando estou envolvido pela sua sonoridade. Você faz uso de faixas fotográficas em seus sons?]

CHARLIE:  Yeah! I live in the mountain where I record a lot of sounds, but I like more play with synths and made my own sounds that are similar too nature sounds. [Yeah! Eu vivo na montanha onde gravo muito sons, mas eu gosto mais de tocar com synths e fazer meu próprio som que é similar também aos sons da natureza.]

A.M.E: Do you make experimentations when you are producing? [Você efetua experimentações quando estás produzindo?]

CHARLIE: Yeah! all the time I am experimenting, but now with more knowledge I can focus really what im looking for.[Yeah! Todo o tempo eu estou experimentando, mas agora com mais conhecimento, posso realmente focar no que estou procurando.]

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A.M.E: How do you see the movement of ideas about genre Darkpsy/Forest in Spain? [Como você vê o movimento de ideias sobre o gênero Darkpsy/Forest na Espanha?]

CHARLIE: Is growing a lot, in the last years we are making a big movement in Spain and the people started to be interested in this type of sound. GloOm Music is making a lot of work in this way, artists are playing in all the Spanish events and also in all the world!! [Está crescendo bastante, nos últimos anos estamos fazendo um grande movimento na Espanha e as pessoas inciaram a serem interessadas neste tipo de som. GloOm Music está fazendo um grande trabalho nesta caminhada, artistas estão tocando em todos os eventos Espanhóis e também em todo o mundo.]

A.M.E: What do you think about the musical movements that are born today in the Spain and the World? [O que pensas a respeito dos movimentos musicais que nascem atualmente?]

CHARLIE: I think in Spain is difficult, because the underground people liked more free techno. But we are making a good job!! [Eu penso que na Espanha está difícil, porque o povo underground gosta mais de Techno livre. Mas nós estamos fazendo um ótimo trabalho!!]

A.M.E: Through its perspective. How do you see the electronic underground scene in Spain? And in the world? [Por meio de sua perspectiva. Como você vê a cena eletrônica underground na Espanha? E no mundo?]

CHARLIE: Like I said in Spain is growing, we have many beautiful places to make good festivals, and now in the world forest psy trance, people follow more underground music I think. [Como eu disse na Espanha está crescendo, nós temos muitos lugares belos para fazer ótimos festivais, e agora no mundo do Forest psy trance, as pessoas seguem mais a música underground, eu acho.]

jorge saiyan e charlie awwen
Jorge Sayan e Charlie Montero

A.M.E: I think it’s a real dream to become an owner of Records. How was born the Label GloOm Music? [Creio que é um sonho realizado ser Dono de uma Records. Como nasceu a Label GloOm Music?]

CHARLIE: GloOm Music born like a common idea from some friends regulars at psy trance parties in Spain, and I started to manage it because at first nobody knew what to do, now I’m the owner because i make almost everything the work for the label. [GloOm Music nasce como uma ideia comum de alguns amigos frequentadores de festas de psy trance na Espanha, e eu comecei a gerenciá-la, pois no início ninguém sabia o que fazer, agora eu sou dono porque fiz quase todo o trabalho para a gravadora.]

A.M.E: Did you feel difficulty in administering a label at the beginning?[Você sentiu dificuldade de dirigir uma label no início?]

CHARLIE: No I didn’t find difficult. I also have some friends with other labels that helped me a lot, and now is like automatic work, the most important is continue working every day and be stable to release at least 3 or 4 releases per year. [Não, eu não encontrei dificuldade. Eu também tinha alguns amigos com outras labels que me ajudavam bastante, e agora é como trabalho automático, o mais importante é continuar trabalhando todos os dias  e ser estável para lançamentos de pelo menos 3 ou 4 por ano.]

A.M.E: Nowadays. What do we can wait for news in brief of GloOm Music? [O que podemos aguardar de novidades em breve da GloOm Music?]

CHARLIE: wowww!! now we have a lot of future projects, some surprises hehehe, but I can say you the next releases: The Gloomers: GloOm Tales compiled by Awwen; Awwen – Organic Modulation Ep; V.A. Heart of the Forest compiled by Luca; Spooky Hertz – Scream of the butterfly EP; Kontrol Z Ep, Ludopsy Ep; V.A The Ancient Scripts II compiled by mr grassman/Isometric and some more releases will come!!! Stay Tuned!!!!! [wowww!! Agora nós temos um monte de projetos futuros, algumas surpresas hehehe, mas posso dizer os próximos lançamentos: “The Gloomers: GloOm Tales” compilado por Awwen; “Awwen – Organic Modulation EP”; “V.A. – Heart of the Forest” compilado por Luca; “Spooky Hertz – Scream of the butterfly EP”; Kontrol Z Ep; Ludopsy EP; “V.A. – The Ancient Scripts  II” por Mr Grassman/Isometric e alguns lançamentos mais virão!!!! Fique Ligado!!!!!]

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A.M.E: What are your perspective about the Awwen project and you as an artist? [Quais são suas perspectivas quanto ao projeto Awwen e você como artista?]

CHARLIE: I’m very happy with my projects because with a lot of work, the people started to support me and know about my project awwen and gloom music. Hope to continue this way and keep growing to travel around the world showing the psychedelic side of the life!!! [Eu estou muito feliz com meus projetos porque com bastante trabalho, o povo começou a me apoiar e saber sobre meu projeto Awwen e GloOm Music. Espero continuar esta caminhada e manter crescendo as viagens em torno do mundo mostrando o lado psicodélico da vida!!!] 

A.M.E: An unforgettable moment into your life? [Um momento inesquecível em sua vida?]

CHARLIE: Hahaha in my life a lot!! But in my artist life not so much. At first like all the artists I had frustration because i didn’t get the quality that I wanted hehehe but only is work every day! Also I remember first year travel to play in some parties that the organization was very bad and the party worse Hehehhe but I don’t want to mention any organizer. Thank you very much for the interview I hope you enjoy reading my bored history!!! 😜 [Hahaha Em minha vida um monte!! Mas na minha vida artística não tanto. Em primeiro lugar, como todos os artistas, eu tive frustração porque não consegui a qualidade que eu queria hehehe mas é apenas trabalhar todos os dias! Também lembro da primeira viagem para tocar em alguma festa que a organização era muito ruim e a festa pior hehehhe mas eu não quero mencionar nenhuma organização. Muito Obrigado pela entrevista, espero que você goste de ler minha chata história!!! :D]

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Em Alto GOAstral

Pedro Henrique “Pedroka” de Oliveira é daquelas figuras unânimes, de sorriso largo. Em contato com a música eletrônica desde moleque, esse publicitário de carreira fez da mixagem do Goa Trance um hobbie e tanto até se tornar um dos mais requisitados e profissionais Disc Jockeys do Brasil.

Pedroka a.k.a. GOAstral conversou com os Apreciadores de Música Eletrônica sobre sua história, música e a alegria de fazer o que tanto ama.

A.M.E. A música se fez presente quando na tua vida?

PEDROKA – Desde criança eu cresci escutando todos os estilos de musica. Me identificava bastante com músicas clássicas e ficava imaginando os instrumentos de uma orquestra tocando em harmonia. Nos meus 11 anos de idade ganhei um violão e com ele fui aprendendo música e filtrando meu gosto musical, passando pela MPB, Black Music, Funk, Soul, Rock ‘n Roll, até conhecer a música eletrônica em 1993.

Naquele ano, quando tinha 13 anos de idade, conheci uma equipe de som que fazia bailes em clubes da nossa cidade e essa equipe era formada por diversos DJs que revezavam os estilos de som. Tudo era tocado no vinil pois nessa época não existia CD. Foi aí que conheci a ‘música mecânica’, ou seja, música tocada sem instrumentos. Foi paixão desde a primeira vez em que fui a um baile desses e lá pude conhecer e sentir a vibração pulsante da musica eletrônica.

Desde então decidi que queria tocar como um DJ e comecei a discotecar nessa equipe de som no mesmo ano. Fui passando por diversos estilos como: Disco Music, House Music, Underground, Garage e Techno. Em 1997 tive que dar uma pausa para poder focar nos estudos e trabalhar.

Em 2000, já na era do CD, conheci o Psytrance e o Goa Trance na Klatu Barada Nikto aqui em São Paulo e pude reviver todo o prazer de me reencontrar musicalmente. Ali conheci o universo das primeiras raves e passei a frequentar muitas festas boas curtindo os mestres Gil Mahadeva, Mukumba Umburra, Swarup, Joe, Mack, Rica Amaral, GMS, Tati Sanches, Wrecked Machines, entre outros . Depois de alguns anos frequentando as festas, conheci um novo universo do Psytrance ao aceitar o convite para conhecer um festival com duração de 4 dias na Chapada dos Veadeiros, a famosa Trancendence, isso em 2003. Quando voltei desse festival simplesmente me entreguei ao estilo e decidi voltar a tocar, tanto que acabei comprando os equipamentos necessários. Em 2005 consegui tocar em algumas festas pequenas de amigos e desde então fui evoluindo e me especializando no Goa Trance e no Progressive Trance.

Pedrokinha, 1994 Foto: arquivo pessoal
Já no comando em 1994
Foto: arquivo pessoal

A.M.E. – Atualmente, quais as principais influências do GOAstral?

PEDROKA – PharaOm, Kurandini, Nova Fractal, Mindsphere, Psychowave, Goatree, Filteria, Agneton, Goalien, Shivax, Shidapu, Persistant Aura, Ephedra, e muuuuitos outros.

A.M.E. – Para os ouvidos mais desatentos, como explicas as diferenças entre o Goa Trance clássico e o NeoGoa?

PEDROKA – Simples! O goa trance é a mãe de todas as vertentes. Do goa trance nasceu o psytrance e com isso o Trance se espalhou pelo mundo graças ao trabalho de Goa Gil.

Como o Goa Trance clássico é caracterizado pelos sons extraídos de instrumentos acústicos, a sonoridade do Goa Trance está ligado mais ao transe meditativo do que a explosão. No Goa Trance clássico, até mesmo por ser uma das primeiras produções, não existia tanto recurso de engenharia de áudio e nem equipamentos adequados para se mixar e masterizar as tracks. Então, quando se escuta um Goa Trance clássico hoje você percebe que está faltando algo que preencha e dê pressão nos graves.

Ao saber disso, surgiram alguns artistas que resolveram dar uma ‘roupagem’ nova ao velho Goa Trance. Surge então o New Goa, ou o novo Goa Trance com melhor qualidade de áudio e de produção. O resultado é que você consegue curtir numa pista um Goa Trance melhor masterizado com novas técnicas de produção musical levando em consideração os novos padrões de qualidade de produção, mas sem perder a essência ancestral e atemporal característicos do Goa.

Com tudo isso, hoje podemos desfrutar de um som extremamente agradável e com ótima qualidade de áudio.

GOAstral @ Santa Liberdade
GOAstral @ Santa Liberdade


A.M.E. –
Qual a importância do movimento NeoGoa?

PEDROKA – Assim como todo movimento, os artistas do Neo Goa lutam para conseguir espaços nos festivais para manter a chama original sempre acessa, pois devemos sempre lembrar de nossas raízes para nunca perder a essência musical. Afinal, muitas pessoas não tiveram contato com o Goa Trance clássico mas hoje é possível entender o início de tudo escutando os grandes artistas do Neo Goa tocando.

A.M.E. – O Nitzhogoa, por seus timbres altíssimos e características uplifting, é geralmente caracterizado como um subgênero mais difícil de ser absorvido pelo grande público. Como ele se encaixa no teu DJ Set?

PEDROKA – Tocar Dj Set é sempre manter uma viagem e uma história de tempo e sentimentos. O Nitzhogoa se encaixa no momento em que a pista corresponde quando eu toco umas musicas mais aceleradas e vibrantes. Quando eu vejo o sorriso estampado no rosto das pessoas eu começo a experimentar tocando Nitzho e se a galera continuar pulando eu só intensifico a dose de psicodelia até o fim do set.

A.M.E. – Um momento inesquecível do GOAstral.

PEDROKA – Todos os momentos são inesquecíveis. Eu poderia citar vários aqui, mas vou começar citando a ultima apresentação no Universo Paralello onde eu fui convidado para tocar na pista 303 e quando chegou minha hora a pista estava meio vazia. Foi só eu começar a tocar o Goa Trance que a galera toda que estava na praia começou a vir para a frente do som e já na metade do set a pista estava muito lotada e cheia de amigos prestigiando. Ao finalizar, algumas pessoas foram chorando de emoção me agradecer pelo set incrível.

Outro momento incrível foi na Respect em SP onde pude tocar para uma pista pegando fogo depois de uma madrugada sinistra com grandes artistas do psychedelic noturno. Tive a honra de tocar no amanhecer e ver aquele mar de pessoas pulando frenéticamente durante todo o set. O melhor de tudo era que a maioria eram meus amigos que me acompanham desde o início da trajetória.

No Ressonar Festival me aconteceu algo que nunca tinha acontecido. Toquei um set de 1:30hs e vi a galera pulando do início ao fim do set. Fui o único artista de Goa Trance a tocar no mainfloor e posso afirmar que foi algo que me arrepiou todo. No final fizeram fila para me agradecer!

Também não dá para esquecer minhas apresentações no Oriente Médio, Europa e América Latina porque todas foram muito fodas, mas vamos deixar isso para uma outra oportunidade senão vamos nos estender demais (risos).

Gravando novo DJ Set Foto: Facebook
Gravando novo DJ Set
Foto: Facebook

A.M.E. – O que te fascina na música eletrônica?

PEDROKA – O que mais me fascina na musica eletrônica é a pluralidade de culturas convivendo dentro de uma mesma cultura. Ou seja, adoro estar com pessoas e conhecer suas experiências e visão de mundo. Tudo isso aliado às viagens ao redor do planeta formam um conjunto de coisas que me fazem querer explorar cada vez mais todo o potencial transformador que a e-music é capaz de proporcionar.

A.M.E. – Como enxergas a cena Goa Trancer atual no Brasil? E no mundo?

PEDROKA – Vejo que está em franca ascensão e ganhando mais espaços nos line ups. Também vejo que a cada dia cresce o numero de pessoas que se identificam com o Goa Trance nas manhãs e tardes e estão nos ajudando a resgatar a essência. No mundo, o Goa Trance está a todo vapor e só tem a evoluir porque os artistas, em sua maioria absoluta, são músicos clássicos e com isso conseguem extrair sonoridades sensacionais que impressionam os mais exigentes ouvidos. Isso faz com que o Goa Trance esteja presente nos melhores festivais do mundo.

A.M.E. Entrevista Arnaldo Miranda

Nadar contra a maré ou caminhar em certa direção enquanto toda uma cena regional traça outra rota um tanto diferente não é muito fácil. Mais complicado ainda é fazer disso uma meta, um sonho e alcançar êxito em terreno tortuoso e sem apoio da massa. O produtor, DJ e logo mais publicitário Arnaldo Miranda tirou de letra.

Natural do Pará, saiu de Belém em 2009 para estudar Produção de Música Eletrônica na Rede Internacional de Universidades Laureate (Universidade Anhembi Morumbi) em São Paulo, se formando em 2011. Enquanto estudava pôde entrar em contato não somente com uma gama de produção sonora latino-americana de ponta como também vivenciar a cena clubber bem estruturada da capital paulista, absorvendo conhecimento e presenciando suas inspirações tocarem ao vivo em casas importantes como a D-Edge e Clash.

De volta ao norte, equipou um home studio para desenvolver suas produções com a merecida liberdade. Lançou sons pelas gravadoras Four Peas Recordings, Code2 Records, Fever Sound Recordings, Miami Underground Records, Repressure Records, entre outras. Já alcançou o 1º lugar em vendas da norte-americana Four Peas com a música “’Whispers”, bem como o 3º lugar no mesmo ranking com “Unbelievable”. Algum tempo depois arregaçou as mangas e passou a produzir localmente festas interessantes como a Mov3 e a Belhell.

A sonoridade Tech-House é bastante presente em suas composições, mas vez ou outra Arnaldo varia para o Techno mais puro. Em junho deste ano o selo Tiles lançou “Beat Off”: um EP de três faixas sendo uma delas remix de “Reflex”. Para conhecer um pouco melhor o novo disco e sua trajetória, os Apreciadores de Música Eletrônica – A.M.E. conversaram com o Arnaldo.

Foto: Press kit do artista.
Foto: Press kit do artista.

A.M.E. – Arnaldo, o que te motiva?
ARNALDO: O sorriso de quem tá dançando na pista, ainda mais quando a música é minha.

A.M.E. – Quais as suas inspirações?
ARNALDO: Isso variou ao longo dos anos em minha carreira. Quando eu era mais novo em 1998-2000 minhas inspirações eram os DJs e produtores do mainstream tipo Prodigy, Daft Punk, Benny Benassi, D-Devils, Robin S, Dirty South… Com o passar do tempo descobri como funciona a indústria e como são formuladas as músicas. É perceptível a reciclagem de hits e a repetição de formulas pré-estabelecidas, tanto nas melodias quanto nas bases e letras, e isso começou a me incomodar; foi aí que comecei a ouvir outros sons em 2005-2007. Após minha experiência com a cena clubber de São Paulo passei a me inspirar por sons conceituais com um apelo mais artístico, porém voltados para a pista de dança, e esse contato me tornou muito sensível ao som mais lento, calmo e repetitivo do Techno, Minimal, Deep & Tech House. Hoje eu me inspiro muito nesses estilos e em alguns artistas que admiro seus trabalhos e carreiras, como por exemplo: Richie Hawtin, Adam Beyer, Maceo Plex, Wehbba, Marco Carola, Victor Ruiz, Anderson Noise, Loco Dice… As vidas e as músicas desses artistas me inspiram muito. Em geral posso afirmar que sou um cara fissurado em vida noturna, pois gosto da ideia de que todo mundo está dormindo e eu estou trabalhando para as pessoas se divertirem e serem felizes, seja produzindo no estúdio de madrugada ou na labuta como DJ. Às vezes quando chego da balada a primeira coisa que faço é sentar na frente do computador para começar a produzir um som e sigo por horas até a exaustão porque a energia que a pista transmite é absurda. Para mim, poder proporcionar uma noite única na vida de uma pessoa apenas pela experiência sonora é algo inspirador e simplesmente fenomenal.

A.M.E. – Quais os equipamentos de produção que você costuma utilizar?
ARNALDO: Utilizo os softwares Ableton Live 9 e Logic Pro 9. Também utilizo um par de monitores KRK – Rokit 8 para referência, Controladora Midi Novation – Impulse 25, uma placa de audio M-Audio Fast Track Pro e meu cérebro com muitas ideias.

A.M.E. – Para você é fácil compor?
ARNALDO: Depende do estilo que eu vou produzir. Produzo Techno, Tech House e Minimal com muita facilidade – muito mais do que outros estilos, mas isso não significa que eu não consiga produzi-los. Acredito muito naquele velho ditado “a prática leva à perfeição” então quanto mais você praticar a reprodução da ideia do som que está na sua mente, mais fácil fica de compor a música.

A.M.E. – Como aconteceu o processo criativo em “Beat Off”?
ARNALDO: Demorei dois meses na produção do EP. Bom, tudo começou em janeiro desse ano quando fui ao D-Edge em SP assistir o set da tINI, uma artista alemã que assina no label Desolat. Foram 6 horas intensas de Minimal Techno puro com pitadas de Deep Techno. Esse set me inspirou a produzir um EP que transmitisse o que senti durante essa experiência, uma espécie de introspecção dançante. Além disso, nesse mesmo período minha avó estava muito doente e faleceu, o que me deixou completamente arrasado, introspectivo e isso ficou muito presente no EP. A faixa “Beat Off” é mais animada, tem um ar tranquilo, dançante e um bassline bem groovado com timbres de Deep. “Reflex” transmite mais seriedade e sugere reflexão, mas a batida dela por ser dopada em todos os sentidos te instiga a dançar e acompanhar a construção hipnótica da música que tem elementos minimalistas e psicodélicos seguidos de um bassline mais reto com menos variações, porém inteligente. O nome “Beat Off” em inglês significa “repelir” e o EP é justamente isso: eu expulsei o sentimento que havia dentro de mim.

A.M.E. – Regionalmente, quais as dificuldades enfrentadas?
ARNALDO: Com produção de festas são os locais que nem sempre possuem a infraestrutura adequada para um evento de e-music e a falta de profissionalismo da maior parte das pessoas que trabalham na noite. São poucos os que realmente levam a sério a produção da festa, cumprem com os horários de produção e pagamentos. Porém é aquela coisa: quem se adapta melhor pode evoluir com as mudanças, então tenho procurado me adaptar ao mercado da melhor maneira possível. Recentemente um produtor de outro núcleo enviou um inbox no Facebook me insultando e de certa forma me ameaçando por produzir um evento no mesmo dia que o dele. Só daí você tem uma noção da qualificação de alguns que estão atuando nesse mercado. Apesar, as coisas estão indo muito bem e não vislumbro muitas dificuldades além dessa. O mais difícil para mim já passou, que é ter reconhecimento mínimo suficiente do público para produzir uma festa mensal, a Belhell. Basta trabalhar duro que Deus recompensa, o resto é figuração.
Como músico infelizmente não se pode agradar a todos, mas em geral meus sets são muito bem recebidos pelo público e as pessoas vêm agradecer pelo som que faço na noite; isso é muito gratificante. Este foi o primeiro ano em que me encontrei sem datas durante meses, fato que obrigou a produzir a minha própria festa e, sinceramente, foi a melhor coisa que eu poderia ter feito. É muito difícil levar a vida de músico e produtor de Techno na nossa região. Voltei para Belém em 2011 e até hoje muita gente desconhece o meu trabalho justamente porque meu estilo não é o mais fácil de ser apreciado e vendido. Os cachês pagos aos DJs do circuito underground em maioria não dá nem para pagar as músicas que você compra para tocar no seu set, muito menos para pagar um book fotográfico para um Press Kit, quanto mais para comprar um computador decente para produzir ou um curso online para aprender a produzir, desestimulando a maioria de tentar ingressar no mercado de fato. Fora que ainda tem mais de meia dúzia de DJs que tocam de graça ou cobram mais barato que você roubando sua data, mas acho que isso deve acontecer em muito lugar por aí. O que me salva é a projeção externa nacional e internacional que é muito maior devido ao fato de eu publicar meu trabalho na internet e ter um bom relacionamento com os que estão no topo do mercado, gerando um leve reconhecimento de quem não entende do assunto.

A.M.E. – Nacionalmente, quais as dificuldades enfrentadas?
ARNALDO: Logística. O valor das passagens aéreas de Belém para o sul e sudeste é muito alto, o que às vezes torna mais interessante o pessoal de lá “bookar” alguém que possui mais relevância no mercado de lá do que eu que estou aqui no norte. Essas são palavras de produtores e de agências de DJs de lá. Acredito que a nível nacional a única dificuldade é a distância mesmo, mas tendo internet tudo é possível.

A.M.E. – Projeções para o futuro…
ARNALDO: Concluir o curso de publicidade, ingressar no SAE Institute em Londres e começar a estudar Music Business para depois abrir um Label digital. Muito ambicioso esse rapaz, não? [Risos] Tudo isso em 5-6 anos aproximadamente. Espero atingir esses objetivos, afinal se o Richie Hawtin conseguiu por que eu também não consigo?

A.M.E. – Como a formação em publicidade ajuda o Disc-Jockey e músico Arnaldo Miranda?
ARNALDO: Publicidade te faz entender absolutamente tudo sobre a cultura da música eletrônica, comportamento do consumo, estética; por isso abriu minha mente de uma maneira absurda. Tenho aplicado muito meus estudos no mercado e isso vem gerando bons resultados, contribuindo para que eu saiba me comunicar bem com meu público alvo.

A.M.E. – A quantas anda a cena clubber no norte do país?
ARNALDO: Olha, clubber underground eu diria que neste ano está começando a tomar outro rumo e também sinto que as coisas vão fluir muito bem daqui para frente. Tem rolado uma movimentação da galera que não saia de dentro de seus apartamentos por que estava sem opção de festa e novas produtoras estão surgindo. Quando dizemos “cena clubber” devemos levar em consideração um todo e tomar como referência as cenas do sul/sudeste: equilibradas, com maior diversidade de opções para o público e assim por diante. Estou vendo que aos poucos vamos conseguir chegar lá pois público tem, o que não tem é festa suficiente. Vemos aí Manaus dando um show de cena e outras cidades do norte não conseguem fazer igual.

A clubber comercial está excelente com atrações de peso todo mês, eventos de alta qualidade com infraestrutura e tudo mais que uma boa balada tem direito.

A.M.E. – E no Pará especificamente?
ARNALDO: Ainda estamos longe de atingir o nível do sul/sudeste ou até mesmo do nosso vizinho Amazonas em todos os sentidos. Pode melhorar se houver um carinho maior com público, eventos e etc. Mas cena nós temos e ela está galgando ainda os seus primeiros passos como retomada. Já tivemos uma realidade maravilhosa, mas atualmente ela está jogada.

A.M.E. – O que não sai do seu fone de ouvido atualmente?
ARNALDO: Eats Everything, Format B, Wehbba, DJ Anna, Victor Ruiz, Flex B, Dashdot, Re Dupre, Rod B… Nossa, é tanta gente que não sai do meu ouvido, mas vou dar um destaque pra DJ Anna. Ô mulher zica pra produzir, viu?! As músicas dela não saem dos meus sets e só vem surpreendendo a cada lançamento.

A.M.E. – Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas por você no iniciozinho da carreira?
ARNALDO: Falta de reconhecimento no mercado, recursos financeiros, um bom professor de discotecagem, falta de conhecimento técnico; muita coisa a gente tem que descobrir sozinho quebrando a cara mesmo e às vezes da pior maneira possível. Vejo hoje que a molecada tem tudo na mão com a internet e mesmo assim não aprende por preguiça.

A.M.E. – O que dizer para quem está começando agora?
ARNALDO: “Quem desiste nunca vence, e só vence quem nunca desiste.”


Flyer da Belhell Dark Station
Flyer da Belhell Dark Station

O EP “Beat Off” do Arnaldo será lançado em formato físico na festa Dark Station da Belhell que acontecerá dia 12 de julho no Muvuca Club (Rua dos 48, entre Padre Eutíquio e Presidente Pernambuco, n.º 42) em Belém. Ingressos baratíssimos a R$10 a noite inteira para quem confirmar no evento do Facebook e R$20 após meia-noite.


 Foto destacada: Vitor Nikolai.

Como uma anomalia na Matrix, o núcleo Belhell surge no cenário cultural da música eletrônica em Belém.

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O Núcleo Belhell que atualmente vem lançando vários trabalhos no cenário da música eletrônica em Belém realizou mais um evento no último sábado, 24 de maio.  Explorando um contexto artístico elaborado como enredo que dá sequencia às diversas festas que eles vem realizando na cidade. Utilizando-se de referencias do universo cyberpunk mescladas biologicamente com a cultura da música eletrônica sob a ótica de um clubber.

Vamos conhecer um pouco desse universo impresso em nossa cultura atualmente, conversando com Eric Bordalo, um dos membros fundadores do Núcleo Belhell. Fiz a ele algumas perguntas, abaixo temos o que respondeu:

Tohany: Eric, ao que remete o nome do núcleo, inspirando-os a fazer essa escolha?

Eric: tem várias razões é um jeito que eu gosto de chamar Belém, é sonoro, remete a quentura da cidade e dá ideia de uma cena que fervilha, que é o que queremos fazer pelo eletrônico, fervilhar a cena!

Tohany: O universo cyber punk é aquele onde a humanidade está completamente envolta em novas tecnologias como robótica e inteligência artificial para todas as áreas. Você acredita que Belém possa se envolver mais com o conhecimento tecnológico e cultural provindo das mais diversas fontes de música eletrônica?

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 Eric: Sim, acho que isso acontece o tempo todo. O desejo das pessoas de adquirir conhecimento contínuo acompanha esse fluxo frenético de produção de música eletrônica, seja pra audição ou como no viés do músico. Tecno-brega é uma prova disso.

Tohany: Qual a visão que a Belhell tem sobre o cenário atual (musica eletrônica)? E de acordo com o que vocês vêem, o que vocês pretendem aprontar para fervilhar o cenário?

Eric: Belém tem um cenário limitado e ideia é justamente expandir o cenário, cultivando várias vertentes. Techno, House, Bass Music e assim por diante. Queremos fomentar estilos que não são muito ‘pra pista’ em nossos lounges e espaços ‘lado b’.

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