Refazendo o Kontrol Z

Geralmente transitando entre 147 e 150 batidas por minuto, Kontrol Z é bastante marcado pelas temáticas tecnológicas e alienígenas do famigerado Full On Night (ou Twilight).

Em seu álbum de estreia lançado ano passado pela Neuromind Records, “Welcome To The Matrix”, Felipe Zulli invoca o conceito da realidade ilusória, aliando sua musicalidade à inteligência de figuras importantes como Diksha, Killer Buds e Babagoon. Já se apresentou em algumas das melhores festas e festivais alternativos do país, como o Universo Paralello na Bahia, Shakti em Minas Gerais, Karuá e Mundo de Oz em São Paulo. Vivendo atualmente na Áustria, tem espalhado sua mensagem pelas bandas de lá em celebrações como a Fantasy Forest na Eslováquia e Masters Of Puppets na República Tcheca.

Conheci o Felipe saindo do Ozora em 2013, à caminho de outra experiência incrível que seria o Lost Theory. A ideia de conversar sobre a história e o futuro do Kontrol Z surgiu há um tempo, amadureceu e finalmente se materializou na hora certa. Dá uma lida!

A.M.E. – Qual o marco inicial do Felipe Zulli na cena eletrônica?

FELIPE: Lembro de quando eu tinha uns 16 anos e me apresentaram Infected Mushroom. De primeira não entendi muito o som, mas quando completei 18 anos, em 2006, um amigo me convidou pra ir a uma Tribe na pedreira. Foi uma mega festa, não lembro quantas mil pessoas, e no line up grandes nomes como Infected Mushroom e Astrix, mas os sons que realmente me chamaram a atenção dessa vez foram Rinkadink e Triptych. Depois disso meu interesse cresceu demais pelo som e pelas festas.

A.M.E. – O que fez surgir o Kontrol Z?

FELIPE: Foi uma longa caminhada até decidir focar num projeto solo. De primeira eu e um amigo, sempre muito vidrados em compartilhar sons, nos interessamos em saber como acontecia todo o processo de produção musical. Fizemos um curso numa escola aqui em São Paulo, lá aprendemos a sequenciar em um programa bem antigo chamado Buzz Tracker; depois disso eu realmente caí de cabeça nos estudos, me matriculei no curso de Produção Musical Eletrônica da faculdade Anhembi Morumbi, onde tive muita sorte de cair numa sala que boa parte dos alunos eram focados na musica psicodélica. Dali saíram projetos muito bons como Space Vision, Babagoon, Wernicke e Vermont. Quando me formei foi que realmente botei a mão na massa e comecei um projeto de progressive trance junto com o Bruno do Subsistence. Depois de um tempo vi que o progressive não era muito a minha praia e abandonamos a ideia, desde então foquei em criar um projeto onde eu me identificasse 100% e as coisas começaram a se conectar.

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Com Malice In Wonderland @ Masters Of Puppets

A.M.E. – O que significa exatamente “Kontrol Z”?

FELIPE: “Control + Z” em muitos programas seria o comando para voltar uma ação, e todo produtor com certeza pressiona muito esse comando. A minha vida inteira as pessoas me chamam pelo sobrenome (Zulli) então eu já procurava um nome para o projeto onde tivesse a letra Z em destaque. Resolvi escrever Kontrol com “K” por influência de muitos projetos com a letra K como, Kode Six e Konflux.

A.M.E. – Quais  as plataformas de produção utilizadas na criação das faixas?

FELIPE: Hoje trabalho com o Logic X e o Ableton Live 9.

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Kontrol Z @ Shakti – São Tomé das Letras (MG)

A.M.E. – Como definir o teu som?

FELIPE: Psicodélico. Ultimamente tenho produzido muito livre de conceitos e rótulos, tento sempre fazer um som que me agrade e ao mesmo tempo sinta prazer em apresentar.

A.M.E. – “Timestone Dust” e “Body, Soul and Machines” flertam com as batidas menos aceleradas, numa pegada chill. Existe essa faceta sonora em construção ou são somente experiências aleatórias?

FELIPE:  Sempre gostei muito de psyambient, e tenho experimentado muitas ideias nessa linha… É um projeto futuro para os chillouts.

A.M.E. – Trajetórias geralmente são marcadas tanto por quem detona quanto por quem impulsiona nossas ideias. Até agora, quem apoiou o Kontrol Z?

FELIPE: Desde o começo conto com ajuda de amigos da faculdade pra aprimorar as minhas ideias, a minha primeira gravadora (Neuromind Records) também, sempre me apoiaram e influenciaram. Sem eles a minha arte não teria crescido.

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Kontrol Z @ Murdanoiz

A.M.E. – Particularmente, sempre achei teu som a cara da Gloom Music. Quais os planos dentro da gravadora?

FELIPE: Estamos com plano pra sair um EP chamado “Elementary Particle”, com músicas que tenho carinho muito especial. Creio que até setembro esteja no ar e vai estar disponível para baixar de graça pelo Ektoplazm. Estou muito ansioso e trabalhando no processo de finalização desses sons, mas já tenho algum material novo no HD. Espero que a Gloom se interesse por eles.

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Kontrol Z @Psy-Connection

A.M.E. – Como se deu a parceria com o Daniel Grassmann (Isometric) lançada ano passado? E com os Nocturnes Creatures?

FELIPE: Desde fevereiro do ano passado me mudei para Vienna, na Áustria, e Danny tem ajudado muito com a evolução do meu som. Conversamos bastante sobre conceitos sonoros e muitas vezes compartilhamos de ideias bem parecidas. Sempre que possível estamos no studio juntos cozinhando algumas psicodelias. Nossa segunda track juntos saiu recentemente na compilação do Gaggalacka Festival (da Alemanha) pela Purple Hexagon Records. Com Nocturnes Creatures o conceito ja é outro, o som deles é mais pesado, bem hi-tech e dark psy. Posso dizer que eles me abriram a mente pra esse tipo de som e essa track que fizemos foi bem experimental, tanto pra mim que não estou acostumado com bpms mais acelerados, tanto pra eles que ate então não tinham o costume de produzir abaixo dos 160 bpms.

A.M.E. – O que é melhor: a preparação em estúdio ou a euforia do stage?

FELIPE: A preparação no studio é tudo, mas a euforia do stage também é muito boa… Se o coração não dispara e não dá aquela ansiedade, não tem graça.

A.M.E. – Quais os próximos passos?

FELIPE:  Vou continuar trabalhando muito no Kontrol Z. Espero fazer sons em parceria com muitos projetos e que apareçam bons remixes. Quero lançar a linha de psyambient do Kontrol Z e por influência de sons mais rápidos pode ser que venha um projeto novo por ai.


Foto em destaque: Rodrigo Fávera.

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