Ouvidos Atentos

Réveillon sempre nos inspira a fazer retrospectiva do ano que findou e dessa vez não vai ser diferente.

Fábio J. e Giovanni Bitencourt apontam sem ordem de preferência (esqueça rankings) o que passou de melhor pelos seus ouvidos durante 2015, além do que já indicaram aqui no COLUNAS A.M.E.

Vamos lá!


T R A N C E


musik

“Fractal Salat” – Musik Magier

O disco é do finalzinho de 2014, mas é tão bom mas tão bom que não conseguimos resistir e resolvemos indicá-lo aqui. Afinal de contas, só o escutamos em 2015 hehe.
A mudança na sonoridade do alemão Hannes-Joshua Thor Barthel é absurda. Iniciou a carreira com dois discos medianos um tanto progressivos (com um pé no Full On, diga-se de passagem), mesmo assim jamais se rendendo às fórmulas prontas e sequências repetitivas que insistem em infestar aquele subgênero.
Entre tanto som bom, os destaques ficam por conta dos pássaros psicodélicos de “Earthy Birds”, a fantástica viagem química por dentro de galhos em “Tubeleafs”, o maquinário de “New Tools Playing” e a bandinha lisérgica de “A Better One”.

lacerta

 “Sauria” – Lacerta

Aos adeptos do sol e da psicodelia cristalina este EP é prato cheio. Lacerta é o lado menos denso do excelente Laatoka (Alexander Trufanov) em par com Averin Andrey. Melodias extremamente bem construídas e a participação especial da dupla Kala são os pontos altos de “Sauria”. Excelente!

traxon

“Ancient Geek” – Traxon

Bruno Souza consegue facilmente construir perceptíveis características audíveis em qualquer coisa que produz, por isso Traxon é fantástico.
A faixa-título é cachuleta no ouvido na certa. Grave absurdo!
“On The Run” remete ao clássico homônimo dos Pink Floyd, logo vem aquela nostalgia de maluco.
O EP conta com a masterização precisa do macedônio Ognen Zafirovski (Yudhisthira) e arte gráfica de Gasper Kranjc, responsável pelas capas dos outros lançamentos da Forestdelic. Escute sempre.

transncendental

“Transcendental Roots” – V.A.

Pouco se sabe sobre o selo MadMusik que distribui o CD em parceria com a a Arabesque Digital.
Esse V.A. (Various Artists, sinônimo de “compilação”) reúne de uma vez só a retidão de Madianbrains, a bruxaria do Laatoka (“Witch Technology” é sem sombra de dúvidas uma das melhores faixas do ano) e nomes incríveis como Trimurthi (superando-se em “Anandamaya”), Tersius, ESP (que organiza a coletânea) e Aegolius. Com certeza uma das melhores coletâneas de Forest Trance do ano.

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“Far Away In Space” – Reflection

Por falar em som característico, indicamos o australiano Reflection. A linha de baixo construída pelo professor de música Gibb Tartaris sofreu influências pesadíssimas do famigerado Zenonesque, subgênero fortemente enraizado em sua terra natal. Gibb inseriu essa pegada no Forest Trance e deu muito certo.

lyserg

“Good Morning Forest” – Lyserg Zwerg

Este merecia matéria inteira de tão incrível. Lyserg Zwerg é outro fanático pela sonoridade Zenonesque que introduz certos elementos dali no Forest Trance. O forte do norueguês é um som mais limpo, translúcido, único. O tema aqui gira em torno de algo realmente inovador: trance orgânico tribal pensado para as manhãs.
“Nordwald” é uma bela introdução ao bosque ainda úmido da noite. “Lichte Tannen” remete ao abeto (árvore nativa de florestas temperadas) e suas propriedades farmacológicas. “Ich Kann Das Ego Nicht Aufheben” admite a importância de manter o ego como traço fértil do autoquestionamento, da autodescoberta (“what you are looking for is already where you are looking from”). “Ancient Knowledge” invoca em poderosos sintetizadores o conhecimento xamânico, entre cantos de pássaros, percussões e uma atmosfera vibrante. Um dos melhores momentos do disco, com certeza.
Genial!

odr

“болото” – Óðr

Máxima organicidade. Do norte da Holanda surge essa figura interessantíssima cuja sonoridade não conhece limites. Seu forte não é trabalhar com graves profundos, mas as ambiências que recheiam suas faixas regurgitam psicodelia pra todos os lados. “The Voice Of Cheese” (esse título é demais!), “λ Black Mesa” e “Soundboy Milkywav” materializam bem o que eu acabei de escrever.

arjuna

“Primal Contact” – Arjuna

Arjuna e Parvati são nomes que atualmente dispensam qualquer apresentação no meio do trance psicodélico. “Primal Contact” é o primeiro álbum desse produtor italiano de qualidade inegável que conta com participações de Atriohm (“The Drunken Orchestra”), Farebi Jalebi (“Secret Window”) e Orestis (“Unintended Consequences”). Outros grandes momentos do disco são “Duality” e “Cermenate Sunrise”.


H O U S E + T E C H N O


art“The Rainbow Song” – Art Of Tones

O produtor/DJ de house Ludovic Llorca (a.k.a. Art Of Tones) mexe com as pistas do mundo há muitos anos, principalmente no quesito música boa. Esse EP mostra o talento e a versatilidade desse produtor mesclando soul e jazz + batidas eletrônicas do house.
O remix, realizado por S3A, segue uma pegada nudisco, mas mantendo beleza e intensidade do som original.
É som fino, escuta que não vais te arrepender.

ruben

“Also! Remixes” – Ruben Mandolini

O italiano Ruben Mandolini fez muito sucesso quando lançou o tech house “Also!” em 2012 no EP “Snatch027”. Os vocais eram reeditados do clássico “Blaze – My Beat” de 1998.
No ano passado, o artista lançou um rework da faixa, além de um EP com remixers de peso: o brasileiro Volkolder com um tech house/Brazilian Techno fodástico; o alemão Kevin Over no tech house com synths deep, groovão; e a dupla canadense The Junkies cagalizando com uma techneira insana.
Nota 10.

heinz

“Brazil EP” – V.A.

Siiiiimmm, os brasileiros estão na lista com toda certeza! Destaque para esse EP em especial, lançado pelo selo alemão Heinz music. Escalou uma seleção brasileira de deep/tech/house, sons para chacoalhar qualquer esqueleto.
Gabe, Dashdot, Victor Ruiz, Eclectic, Marcelo Fiorela, Tough Art e Thayanna Valle são os nomes por trás desse EP – alguns nomes conhecidos na mangueirosa – o que já dá uma ideia do conteúdo. Som fino de qualidade e basslines redondos.

jopey

“Defected Presents House Masters” – Compiled by Joey Negro” – V.A.

Os clássicos também rolam na lista. Um V.A. foda, lançado pelo famosíssimo selo Defected (mesmo de Bob Sinclair e Dimitri From Paris). Um disco cheio de hits do soulful/house/deep/disco, tudo compilado pelo grande DD/produtor Joey Negro.
Joey Negro, exímio pesquisador musical, responsável por dar uma nova leitura através de edits, remixes, reworks, versões dubs de faixas hits e undergrounds de cena disco/house, respectivamente das décadas 70 e 80/90.
Prepara o globo na sala da tua casa e entra no clima do studio 54!

opolopo

“Opolopo” – Superconductor

O DJ, produtor e multi-instrumentista sueco Opolopo já tinha chamado a atenção em 2012 quando remixou uma faixa de Gregory Potter da década 60 e em 2015 lançou um álbum recheado de grooves, boogie, disco, funk, soul e broken beats. Muito foda!
Valendo muito esse disco!

green

“Unity” – Carl Graig & Green Velvet

Quando duas lendas do house/techno se encontram, sem dúvida é prenúncio de sucesso nos clubs ao redor do mundo. Assim foi com esse EP, Carl Craig e Green Velvet, respectivamente de Detroit e Chicago. Green Velvet traz sua sonoridade house bem divertida e descompromissada; e Craig, uma sonoridade Techno com construções pesadas e viajantes.
A dupla pariu um dos EPs mais incríveis de 2015. Destaque para as faixas “So What”, “Rosalie” e “Let It go”.

if

“If You Find Yourself In a Large Room” – V.A.

Se é para falar de diversão e sorriso no rosto, Dirtybird garante! O selo de Claude Vonstroke se destacou nesse ano de 2015 por conter os maiores nomes da produção de deep/tech/bass/house. Foi sucesso atrás de sucesso, é bem provável que esse tenha sido o ano da Dirtybird.
Justin Martin, Catz ‘n Dogz, Julio Bashmore, Riva Starr, Breach, Shiba San, Eats Everything, J Phlip, Style of Eye, Kill Frenzy entre outros, fazem o cast.
Basslines gordos e batidas pesadas são características das produções desse selo e esse EP traz justamente isso. Atenção para Will Clarke e Genghis Clan, assim como para “H.O.U.S.E.” do Kill Frenzy. Vuai!

t

“Arthur and The Intergalactic Whales” – Bjarki

Bjarki já estreou com pé de ouro no meio house/techno. Seu primeiro single lançado pelo selo Trip já alçou grandes voos. O disco ficou na tracklist 2015 de nomes como Nina Kraviz e Joseph Capriati, além de ter  uma das tracks mais procuradas no Beatport.
Tudo se deve à “I Wanna Go Bang”. Uma Techneira minimalista, com kicks pesados e vocais eletronicamente distorcidos para entrar na sua cabeça. Em contraponto a faixa lado B, também muito boa, enfatiza a melodia e experimentalismo.

kink

“Cloud Generator” – Kink

O búlgaro Kink, é um dos maiores nomes da cena house/techno mundial. Excelente DJ, possui produções impressionantes, mas o que habilita realmente o cara, sem dúvida, é o live act.
O EP Cloud Generator, comprova a versatilidade de Kink. A primeira faixa (que dá nome ao disco) é apoteótica, já foi música tema de um festival europeu. “Diversion” e “Pocket Piano” vão mais além e dão o tom para um dos EPS do ano. Destaque para a incrível versão breakbeat de “pocket piano”.

tropical

“Tropical Treasures vol. 2” – V.A.

Um dos mais respeitados e bem sucedidos selos do Brasil, o Tropical Beats, há um bom tempo na ativa, lançou um V.A. chamado “Tropical Treasures” que teve um maravilhoso feedback. Aproveitando os bons ventos, lança em 2015 um volume dois, muito absurdo!
Sem dúvida um dos VAs mais legais e mais importantes lançamentos de 2015. Crack a Jack, Nytron, Vintage Culture, Flow & Zeo, Gabe, Velkro e muito mais, dá uma noção do que esperar dessa incrível compilação.

desolat

“Desolat X-Sampler” – V.A.

Pra finalizar, um dos selos mais bem sucedidos de house/techno em 2014, Desolat do DJ/produtor Loco Dice, como de costume lançou em 2015 um V.A. – Desolat X-Sampler contando com grandes colaboradores.
Destaque para as faixas “Pawn Shop People – Children of the Rave”, “Alli Borem – Broke the Late 90s” e “Lewis Boardman – Believe in Something”


D U B


dis

“Dis Side Ah Town” – Roger Robinson

King Midas Sound’s Roger Robinson, escritor e performer residente entre Inglaterra e Trinidad. Em 2011, após retornar de uma turnê a cidade de Brixton, sem saber entrou no centro de motins que aconteciam em Londres. No meio de chamas e fumaça, Robinson passou a escrever letras sobre o acontecido que acabaram virando letras nesse álbum de dub & reggae foda lançado pela Jahtari.
Jahtari é um netlabel alemão que desde 2005 vem lançando grandes álbuns, coletâneas, VAs de dub e reggae. O diferencial está em torno da sonoridade eletrônica, principalmente o uso de sons de videogames 8bit nas faixas. Disco sensacional!


A M B I E N T + C H I L L


minecraft

“Deep Dreaming In Minecraft” – Indigo Aura

O conceito do disco gira em torno de soundscapes inspiradas no jogo Minecraft, todas devidamente sintonizadas na mística frequência 432 Hz. Música para transcender.

yunomi

“Amarylli’s Dream” – Yunomi

A dupla Ishq (em pseudônimo) assina esse disco maravilhoso cheio de influências meditativas e arranjos quase asiáticos. “Arboreum” e “Tree Breeze” são construídas com sons de árvores ao vento. Verdadeiras obras-primas do Ambient contemplativo.

calibrate.jpg

“Etheric Echoes” – Calibrate

Calibrate é Valentin Santana, multi-instrumentista norte americano. Além de músico, Santana é conhecedor de terapias energéticas e cura pelo som. Tal combinação resultou em “Etheric Echoes”, seu primeiro álbum lançado pela Merkaba Music em julho deste ano que reúne autênticas joias contemplativas como “Orbital Prayers”, “Dreams Align” e “Realms Of Revival”.


E X P E R I M E N T A L


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 “Mutant” – Arca

O trabalho autoral desse venezuelano é riquíssimo.
Agressivo, um tanto perturbador, influenciado nitidamente por Aphex Twin e cia. Suas construções sonoras complexas não cabem em qualquer momento. Vale a pena degustá-lo na calma, com excelentes fones de ouvido ou num equipamento de som potente (de verdade).
Incrível.

Momus-Glyptothek_400x400q85“Glyptothek” – Momus

Momus é um tremendo fanfarrão há mais de 30 anos. Mistura todo tipo de parafernália sonora (eletrônica e não) com temáticas esdrúxulas para construir canções irônicas, meio folk, meio qualquer coisa; tudo produzido dentro de casa em Osaka, Japão, país que o influencia diretamente como podemos notar em diversos samples, arranjos musicais, figurinos e vídeos.
O disco é baseado na aura festiva das celebrações Shinto (cerimônias sagradas japonesas), trabalhada com referências vanguardistas desse multi-artista escocês que aqui forma sua própria bizarra gliptoteca.
“Masks Of Bebko”, “The Labourer” e “The Art Creep” resumem esse universo com maestria.

perpetual

“Perpetual” – Ryuichi Sakamoto, Illhua & Taylor Deupree

Durante o 10º aniversário do Yamaguchi Center For Arts And Medias, esses quatro artistas (Illuha é uma dupla) se juntaram no palco para uma performance sem precedentes: formar uma jam session absolutamente improvisada unindo piano, guitarra, harmônio e sintetizadores eletrônicos. O que saiu dali é inexplicável.
Infelizmente, a edição física de “Perpetual” é limitada a 1000 cópias, mas a internet está aí pra quem quiser. Disponível em streaming no Spotify.


P O P


vulnicura

 “Vulnicura” – Björk

Com certeza é o trabalho mais emotivo da islandesa.
Trocando em miúdos, “Vulnicura” narra a intimidade de uma mulher de quase 50 anos passando o perrengue de um pé na bunda bem dado. O resultado é um disco maravilhoso em sua proposta. Não combina com dias ensolarados.
Indicamos a sequência “Stonemilker”, “Lionsong”, “History Of Touches” e “Black Lake”.

jaloo

“#1” – Jaloo

Jaloo (Jaime Melo, natural de Castanhal no Pará) bebe de várias fontes: technobrega, synthpop, música popular brasileira, muito pop, bass music, R&B, funk carioca e até o carimbó. Junte isso a uma identidade visual bem construída, produção de estúdio caprichada e temos esse primeiro disco autoral.
Escutar “#1” alegra ao percebermos que toda essa misturada de ritmos, (quebra de) fórmulas e cores resulta num álbum inteligente.

jamie xx

 “In Colours” – Jamie XX

Membro dos The XX, Jamie Smith se lança solo pelo selo independente britânico Young Turks.
“In Colour” tem espaço pra bastante coisa, desde participação de sua parceira de banda Romy Madley Croft até bass music (como em “Gosh”, cujo videoclipe é no mínimo sensacional).

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“Depression Cherry” – Beach House

Impossível não comparar o dream pop impecavelmente construído pelos Beach House a uma das fases mais interessantes dos precursores Cocteau Twins, quando estes deixaram um pouco de lado o extremismo ethereal no finalzinho dos anos 1980 para construírem (sem querer querendo) o aquele subgênero mais, digamos, “degustável”.
“Depression Cherry” também tem cara de Twin Peaks. “10:37” é Julee Cruise inteira, tão incrível quanto “Space Song”.

chemical

“Born In The Echoes” – The Chemical Brothers

Novo disco dos maiores hitmakers da música eletrônica não podia ser diferente: até o presente momento foram três singles lançados (“Go”, “Under Neon Lights” e “Sometimes I Feel So Deserted”) em três videoclipes absurdos.
Ainda que não se possa comparar este a outros discos épicos como “Surrender” (o melhor) e “Further”, “Born In The Echoes” segue sendo uma das melhores coisas que 2015 nos proporcionou. Acessível, dançante e despretensioso.

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