Em Alto GOAstral

Pedro Henrique “Pedroka” de Oliveira é daquelas figuras unânimes, de sorriso largo. Em contato com a música eletrônica desde moleque, esse publicitário de carreira fez da mixagem do Goa Trance um hobbie e tanto até se tornar um dos mais requisitados e profissionais Disc Jockeys do Brasil.

Pedroka a.k.a. GOAstral conversou com os Apreciadores de Música Eletrônica sobre sua história, música e a alegria de fazer o que tanto ama.

A.M.E. A música se fez presente quando na tua vida?

PEDROKA – Desde criança eu cresci escutando todos os estilos de musica. Me identificava bastante com músicas clássicas e ficava imaginando os instrumentos de uma orquestra tocando em harmonia. Nos meus 11 anos de idade ganhei um violão e com ele fui aprendendo música e filtrando meu gosto musical, passando pela MPB, Black Music, Funk, Soul, Rock ‘n Roll, até conhecer a música eletrônica em 1993.

Naquele ano, quando tinha 13 anos de idade, conheci uma equipe de som que fazia bailes em clubes da nossa cidade e essa equipe era formada por diversos DJs que revezavam os estilos de som. Tudo era tocado no vinil pois nessa época não existia CD. Foi aí que conheci a ‘música mecânica’, ou seja, música tocada sem instrumentos. Foi paixão desde a primeira vez em que fui a um baile desses e lá pude conhecer e sentir a vibração pulsante da musica eletrônica.

Desde então decidi que queria tocar como um DJ e comecei a discotecar nessa equipe de som no mesmo ano. Fui passando por diversos estilos como: Disco Music, House Music, Underground, Garage e Techno. Em 1997 tive que dar uma pausa para poder focar nos estudos e trabalhar.

Em 2000, já na era do CD, conheci o Psytrance e o Goa Trance na Klatu Barada Nikto aqui em São Paulo e pude reviver todo o prazer de me reencontrar musicalmente. Ali conheci o universo das primeiras raves e passei a frequentar muitas festas boas curtindo os mestres Gil Mahadeva, Mukumba Umburra, Swarup, Joe, Mack, Rica Amaral, GMS, Tati Sanches, Wrecked Machines, entre outros . Depois de alguns anos frequentando as festas, conheci um novo universo do Psytrance ao aceitar o convite para conhecer um festival com duração de 4 dias na Chapada dos Veadeiros, a famosa Trancendence, isso em 2003. Quando voltei desse festival simplesmente me entreguei ao estilo e decidi voltar a tocar, tanto que acabei comprando os equipamentos necessários. Em 2005 consegui tocar em algumas festas pequenas de amigos e desde então fui evoluindo e me especializando no Goa Trance e no Progressive Trance.

Pedrokinha, 1994 Foto: arquivo pessoal
Já no comando em 1994
Foto: arquivo pessoal

A.M.E. – Atualmente, quais as principais influências do GOAstral?

PEDROKA – PharaOm, Kurandini, Nova Fractal, Mindsphere, Psychowave, Goatree, Filteria, Agneton, Goalien, Shivax, Shidapu, Persistant Aura, Ephedra, e muuuuitos outros.

A.M.E. – Para os ouvidos mais desatentos, como explicas as diferenças entre o Goa Trance clássico e o NeoGoa?

PEDROKA – Simples! O goa trance é a mãe de todas as vertentes. Do goa trance nasceu o psytrance e com isso o Trance se espalhou pelo mundo graças ao trabalho de Goa Gil.

Como o Goa Trance clássico é caracterizado pelos sons extraídos de instrumentos acústicos, a sonoridade do Goa Trance está ligado mais ao transe meditativo do que a explosão. No Goa Trance clássico, até mesmo por ser uma das primeiras produções, não existia tanto recurso de engenharia de áudio e nem equipamentos adequados para se mixar e masterizar as tracks. Então, quando se escuta um Goa Trance clássico hoje você percebe que está faltando algo que preencha e dê pressão nos graves.

Ao saber disso, surgiram alguns artistas que resolveram dar uma ‘roupagem’ nova ao velho Goa Trance. Surge então o New Goa, ou o novo Goa Trance com melhor qualidade de áudio e de produção. O resultado é que você consegue curtir numa pista um Goa Trance melhor masterizado com novas técnicas de produção musical levando em consideração os novos padrões de qualidade de produção, mas sem perder a essência ancestral e atemporal característicos do Goa.

Com tudo isso, hoje podemos desfrutar de um som extremamente agradável e com ótima qualidade de áudio.

GOAstral @ Santa Liberdade
GOAstral @ Santa Liberdade


A.M.E. –
Qual a importância do movimento NeoGoa?

PEDROKA – Assim como todo movimento, os artistas do Neo Goa lutam para conseguir espaços nos festivais para manter a chama original sempre acessa, pois devemos sempre lembrar de nossas raízes para nunca perder a essência musical. Afinal, muitas pessoas não tiveram contato com o Goa Trance clássico mas hoje é possível entender o início de tudo escutando os grandes artistas do Neo Goa tocando.

A.M.E. – O Nitzhogoa, por seus timbres altíssimos e características uplifting, é geralmente caracterizado como um subgênero mais difícil de ser absorvido pelo grande público. Como ele se encaixa no teu DJ Set?

PEDROKA – Tocar Dj Set é sempre manter uma viagem e uma história de tempo e sentimentos. O Nitzhogoa se encaixa no momento em que a pista corresponde quando eu toco umas musicas mais aceleradas e vibrantes. Quando eu vejo o sorriso estampado no rosto das pessoas eu começo a experimentar tocando Nitzho e se a galera continuar pulando eu só intensifico a dose de psicodelia até o fim do set.

A.M.E. – Um momento inesquecível do GOAstral.

PEDROKA – Todos os momentos são inesquecíveis. Eu poderia citar vários aqui, mas vou começar citando a ultima apresentação no Universo Paralello onde eu fui convidado para tocar na pista 303 e quando chegou minha hora a pista estava meio vazia. Foi só eu começar a tocar o Goa Trance que a galera toda que estava na praia começou a vir para a frente do som e já na metade do set a pista estava muito lotada e cheia de amigos prestigiando. Ao finalizar, algumas pessoas foram chorando de emoção me agradecer pelo set incrível.

Outro momento incrível foi na Respect em SP onde pude tocar para uma pista pegando fogo depois de uma madrugada sinistra com grandes artistas do psychedelic noturno. Tive a honra de tocar no amanhecer e ver aquele mar de pessoas pulando frenéticamente durante todo o set. O melhor de tudo era que a maioria eram meus amigos que me acompanham desde o início da trajetória.

No Ressonar Festival me aconteceu algo que nunca tinha acontecido. Toquei um set de 1:30hs e vi a galera pulando do início ao fim do set. Fui o único artista de Goa Trance a tocar no mainfloor e posso afirmar que foi algo que me arrepiou todo. No final fizeram fila para me agradecer!

Também não dá para esquecer minhas apresentações no Oriente Médio, Europa e América Latina porque todas foram muito fodas, mas vamos deixar isso para uma outra oportunidade senão vamos nos estender demais (risos).

Gravando novo DJ Set Foto: Facebook
Gravando novo DJ Set
Foto: Facebook

A.M.E. – O que te fascina na música eletrônica?

PEDROKA – O que mais me fascina na musica eletrônica é a pluralidade de culturas convivendo dentro de uma mesma cultura. Ou seja, adoro estar com pessoas e conhecer suas experiências e visão de mundo. Tudo isso aliado às viagens ao redor do planeta formam um conjunto de coisas que me fazem querer explorar cada vez mais todo o potencial transformador que a e-music é capaz de proporcionar.

A.M.E. – Como enxergas a cena Goa Trancer atual no Brasil? E no mundo?

PEDROKA – Vejo que está em franca ascensão e ganhando mais espaços nos line ups. Também vejo que a cada dia cresce o numero de pessoas que se identificam com o Goa Trance nas manhãs e tardes e estão nos ajudando a resgatar a essência. No mundo, o Goa Trance está a todo vapor e só tem a evoluir porque os artistas, em sua maioria absoluta, são músicos clássicos e com isso conseguem extrair sonoridades sensacionais que impressionam os mais exigentes ouvidos. Isso faz com que o Goa Trance esteja presente nos melhores festivais do mundo.

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