A.M.E. Entrevista Tinick

Aho Txais, Apreciadores!

Dando seguimento às entrevistas com os DJs do Pará, conheceremos Thiago “Tinick” Viana. Gamer incurável, é interessado em música eletrônica desde a infância. Agora aos 30 anos de idade, há 8 tem se dedicado ao cenário cultural eletrônico de Belém movimentando cultura com produtora de eventos, mídias sociais, artes gráficas e muito som com seu projeto de discotecagem. Thiago aceitou o convite dos Apreciadores de Música Eletrônica para uma entrevista. Acompanhe.

A.M.E. – Como surgiu sua paixão pela música eletrônica?

THIAGO – Pelo início dos anos 90 eu era criança e fã de heróis de seriados japoneses. Com isso, tinha vários discos e fitas deles, o que fazia eu alternar na vez de escutar música com minha mãe. Nessas esperas, percebia o tipo de som que ela escutava, onde entre rock nacional e internacional entrava a House Music.Estava tudo bem no início! Fui me encantando em um curto espaço de tempo e em conversa com amigos de um ou dois anos mais velhos percebi que eles já gostavam e até entendiam um pouco. Era assunto no colégio e nas ruas. Na cidade que eu morava – Redenção – Sul do Pará, havia uma boate para crianças que funcionava de 15 as 19hrs, e à convite de um desses amigos fui para minha primeira festa. 1990 ou 91, isso não me recordo. Daí em diante, fui ouvindo e conhecendo, mas sempre alternando entre outros estilos, até que em 2002 conheci o maravilhoso mundo das festas de música eletrônica, já em Belém. A paixão e envolvimento só cresceram de tal forma que por 3 anos não consegui escutar nenhum outro estilo. Tudo era dentro do Techno, House, Drum n Bass e Psytrance.

A.M.E. – Como surgiu o Dj Tinick?

THIAGO – O DJ Tinick pode ter surgido quando eu mexia os discos da minha mãe pra frente e pra trás no antigo Gradiente dela. (risos). Brincadeiras à parte, o interesse surgiu quando vi o saudoso Marcelo Frazão (Marcelera) em reuniões com amigos onde CDJ e umas brejas faziam parte da brincadeira, 2005. Eu apresentei festas de e-music pra ele em Belém do underground (sítios, parque dos igarapés, AABB, Arena Yamada etc) e ele me apresentou os CDJs. Então meu interesse era somente em aprender a tocar pra fazer parte dessas reuniões, fiz o curso do DJ Coyote de Abril a Junho de 2006 (foi a segunda tentativa, pois na primeira eu convidei vários amigos, entre eles o DJ Psy Red, mas acabei sendo o único a não ter dinheiro pra bancar o curso (rs). E naquele ano minhas primeiras festas envolveram eventos na Chácara Candeira, eventos em sítios da GAP e Insanity. Lembro bem até hoje!

A.M.E. – Quais as influências musicais?

THIAGO – Eu sempre ouvi tudo de música! Do Rock à Música Clássica, do Technobrega ao Forró. Isso me fez ter preferências e escolher meu caminho dentro dela. Quando algo surge, vou lá e ouço, mas confesso que hoje em dia a música que atinge a grande população mundial não anda bem das pernas. Hoje dentro da e-music existem os artistas que me inspiram de maneira geral e outros dentro do meu estilo. Posso citar de cara o DJ paulista Murphy! Esse, pra mim, é o melhor do mundo até hoje. E dentro do Psytrance logo me vem a mente os projetos Earthspace e Shekinah que foram responsáveis por eu sair de uma falta de empolgação onde ouvia muito “mais do mesmo”, mas que hoje é outra história nos CDJs, graças às produções deles. Muitos nomes fizeram história, como o projeto Headroom e Shove, que me inseriram no chamado Psy Groove, e a crew da Vagalume Recs com Burn in Noise, The First Stone, Nevermind, que sempre tiveram espaço no case.

A.M.E. – O que significa ser DJ?

THIAGO – Significa tirar as pessoas da sua rotina do dia a dia, com o uso dos ouvidos, leva-las à outras experiências.

A.M.E – Onde o seu trabalho já lhe levou?

THIAGO – Como disse anteriormente meu trabalho como DJ é uma brincadeira, mas que levo a sério em respeito aos que ganham a vida com isso, então tudo que consegui até hoje foi ‘lucro’ (risos). Já toquei em cidades do norte, nordeste, sul do Estado e região do salgado. Pra quem queria tocar apenas em reuniões de prédios do amigo, acho que levar o Psytrance da minha forma à outras cidades dessa região do país é algo pra se lembrar sempre com sorrisos.

A.M.E. – Onde você espera que o DJ Tinick chegue?

THIAGO – Hoje em dia posso dizer que consegui tudo que eu queria. Poderia ir muito mais longe, porém, meu foco em termos de novos horizontes estão voltados para a cena como um todo, na qual sou muito envolvido com os eventos nos quais trabalho e as produtoras nas quais desenvolvo projetos e propago para os já fãs e pessoas que estão chegando agora dentro da e-music.

Thiago Viana aka Dj Tinick
Thiago Viana aka Dj Tinick

A.M.E – Existe vontade de produzir música?

THIAGO – Não. Gosto muito de ver meus amigos dando largos passos dentro das produções. Mas hoje, com a vida que tenho e tempo que me falta, prefiro ficar na frente do palco curtindo os projetos que tem surgido na cena.

A.M.E. – Quais seus projetos atuais?

THIAGO – Hoje tenho como meus projetos de trabalho a Pulso, produtora de eventos de E-Music que agrega todos os estilos e também uma Fanpage dentro do Facebook que divulga a agenda da cena. A GoaTribe, festa antiga que retomei ano passado onde de maneira surpreendente atingiu grandes públicos e mudou a cara da cena na maneira simples de fazer festa. A Zenith Comunicação que é uma empresa que cria a comunicação de mídia e publicidade de 90% dos eventos de e-music do comercial ao underground e também de outras áreas do entretenimento. Fora isso, uma ligação grande com a cena de modo geral, sempre participando do que vem acontecendo e vendo tendências, para onde vamos.

A.M.E. – Belém do Pará tem crescido culturalmente quando se trata de música eletrônica. Quais suas perspectivas para este cenário nos próximos anos?

THIAGO – Acho que 2014 foi sensacional! Produtoras surgiram, produtoras ressurgiram e o que vimos foi uma apresentação da e-music em seus vários estilos que não são poucos! Nunca poderíamos nos limitar ao que vimos durante tantos anos. Graças a esse ano, posso ver com bons olhos o cenário no futuro, pois muita gente está investindo, trazendo, querendo, e essa parte vai com certeza se sobrepor aos que não tratam a cultura como deveria, quando querem fazer da e-music local uma máquina de fazer dinheiro apenas. Então acho que muitos artistas de todos os segmentos vem por aí! Eventos de sítios ao hHangar vão acontecer e torço mesmo para que os fortes, de comprometimento, levem essa cultura tão linda nas costas.

A.M.E. – Quais os eventos que você mais apreciou tocar em sua trajetória?

THIAGO – Difícil falar assim, pois são 192 até o dia dessa entrevista (conto todos “risos”). Mas com certeza o maior deles foi A Xuxa Tinha Razão – O Calendário da Paz, 2008. Posso citar também minha participação na Tuntz, na A Noite do Cachorro Doido 2010, GoaTribe 2, 4 e 5, El Dorado em 2011, A útima edição da Back To The Past, pois foi a última vez que ví o DJ Marcelera dançando em um set meu, Baile do Havaí, Astral em Castanhal, XxXGrooveland em 2007, Gama Goblins em 2006, A Xuxa Tinha Razão a Evolução… Nossa, são muitos! Nesses que me vieram a cabeça, com certeza tem algo, um gostinho que ficou de quero mais até hoje. Mas em todos, algo especial acontece.

10672217_915528648476912_2148688533137115809_n

Anúncios

Uma opinião sobre “A.M.E. Entrevista Tinick”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s