Da Floresta Escandinava: Spruce

Spruce é David Falao Gjølstad, norueguês nascido em 1992 (sim, tem só 22 anos) que certa vez se encantou pela sonoridade absurda do russo Psykovsky. Também inspirado por Shpongle, Iron Maiden, Korn, jazz cinquetista, Vivaldi e Bach, não demorou muito pro moleque compor sua própria musicalidade.

Logo nas primeiras audições as intenções se tornam evidentes: constantemente desconstruir e experimentar frequências, conduzindo suas faixas rumo ao impensável. Mais parece que zomba dos modelos e dogmas auditivos estabelecidos há tanto tempo, presenteando o ouvinte com uma incrível experiência sonora incessantemente mutante, demonstrando que é possível ser experimental sem abusar do histerismo o tempo todo – o que talvez seja sua principal marca.

spruce-origin“Origin” saiu em 2013 pela JellyFish Frequency Recordings, o mesmo selo de Fobi, Luuli, Yata Garasu, The Nommos, The Dog Of Tears e CinderVOMIT. São 18 faixas com várias delas tendo mais de 10 minutos de duração. “Arenite Cipher” é perfeita para um momento (bem) maior de quebra num DJ Set longo. “Oni” é um tanto mais constante, esquizofrênica (como “Khan Of The Wapaq”). Que linha de baixo incrível! “Manusya Apparant” é uma intensa viagem de 15 minutos por entre melodias sintetizadas interessantíssimas, cabendo como uma luva no encerramento de uma celebração. O disco todo é muito rico e a cada audição descobrimos camadas sonoras antes imperceptíveis.

O tempo geralmente alargado nas composições de Spruce possibilita mixagens bastante diversas, dando margem à escolha de inclusão de breaks ou não, utilização de trechos específicos e assim por diante.

Em fevereiro do mesmo ano a JellyFish Frequency lançou a coletânea beneficente intitulada “CetaCreate Benefit For CinderVOMIT Vol. 3” contendo a faixa “Point Boström Itinerary”, que mais aparenta ser uma sobra do primeiro trabalho.

Mantendo o ritmo abundante de produção, em agosto saiu seu segundo álbum “Ubkivad Omniheita”. A pegada é pontualmente similar a de “Origin”. Em “Wahdat Al-Wujud”, Spruce bagunça os timbres uplifting típicos do Goa Trance. Apesar de ter momentos notáveis, esse disco como um todo, pessoalmente, me agrada bem menos que o antecessor por ser demais irregular. Pouco indicado para pistas de dança.

spruce-bel-vys-osmaEm julho do ano seguinte surge o ótimo “Bel Bys Osma” lançado pela Anomalistic Records. Dessa vez ele arranja, compõe, masteriza e faz a arte de capa. Bem mais atmosférico e reto que os anteriores, Spruce despeja suas influências viscerais ao longo do disco. “Anima Vitae” e “V Umuld Wat” têm discretos samples de jazz e, conforme avança, sentimos o peso Psykoviano o tempo todo. Que beleza!

Abrindo 2015 mais calmo, não menos intenso ou inventivo, “Mru” é uma ode Downtempo à musicalidade extraterrena repleta de melodias bizarras, timbres inusitados e beats poderosos.

Vale lembrar que, segundo o próprio David, os valores arrecadados com as vendas dos discos no Bandcamp são integralmente revertidos a causas como o Free Tibet e One Acre Fund no Quênia.

Com absoluta certeza pode-se afirmar que Spruce é um dos nomes mais promissores da cena psicodélica. Esperamos ouvi-lo cada vez mais.

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