Ondas de Vapor

Estreando finalmente um texto nas colunas A.M.E. e inicio com uma curiosidade que tive quando na produção da segunda edição da Belhell. Naquele evento nós colocamos duas pistas: o porão (a principal) e a outra um lounge. Neste último, estávamos livres para tocar qualquer coisa para além de house, Techno, Trap e músicas mais pista.

Foi quando meu amigo e Dj Eric Bordalo, também produtor da Belhell, disse que iria tocar coisas diferentes como “Waporwave”, “WitchHouse”, “Chillwave”, etc. Logo de cara pensei “Deve ser mais um daqueles gêneros que alguns jornalistas gostam de inventar.” E, obviamente, fui pesquisar para saber do que se tratava.

Confesso, queimei a língua quando descobri que era bem mais que invenção de jornalista, e mais ainda do que alguns gêneros musicais de verão, na verdade, todos eles fazem parte de um movimento, uma subcultura nascida do mundo digital que não envolve apenas música, mas vídeo, pintura e demais áreas do cenário artístico.

“Vaporwave”, é uma referência ao termo “vaporware”, que por sua vez, são “produtos que não existem, mas são lançados como estratégias de marketing de empresas de tecnologia para gerar factoides”. O conceito dessa arte parte dos princípios da desconstrução e ressignificação de conceitos.

Os elementos que caracterizam essa nova arte são o uso da grafia Geocities e Windows, elementos da cultura clubber, golfinhos, extraterrestres, pentagramas, trechos de peças publicitárias dos anos 1980 e 90, cores flúor-berrantes, texturas pixeladas, psicodelia, loops de áudio e de vídeo, reduções de velocidades, reverbs, ecos, dissonâncias, compressões e samples de hits de música pop. Mas essa descrição é uma síntese do mundo vaporwave, perto do que pode vir a ser e se tornar, ou seja, não há limitação da criatividade, sendo estas apenas referências para caracterizá-la.

Imagine a música “Bateu uma Onda Forte” da MC Carol, troque as batidas originalmente funk carioca por batidas e bassline Trap, adicione ainda um synth remetendo a algo mais etéreo, hipnótico e, por vezes, psicodélico. Não pare agora, visualize o videoclipe da música, vários recortes de apresentações da MC Carol ao vivo, some a estas imagens, smiles, cores neon,efeitos (ou defeitos) visuais usados por VJs na década de 90. Surreal, né? Mas a música e o clipe existem!

A mistura intensa, o excesso de informação, o mix de referências entre gerações (década de 80 e 90, principalmente), geram esse delírio psicodélico que é a “vaporwave”. E, pode ter certeza, essa história já está rolando em Belém, além de ouvir na Belhell, outras festas undergrounds na cidade já tocam. E, ainda, como não citar o VJ Tuka vulgo Arthur Machado (http://instagram.com/tu.ukz) que explora visualmente o estilo através do Glitch, depois dá uma olhada! 😉

Quer saber mais?

Significados dos gêneros citados:

Chillwave (Conhecido também por glo-fi):“É um gênero musical cujos artistas são frequentemente caracterizados pelo grande uso de efeitos sonoros, sintetizadores, loops, samples e vocais fortemente filtrados com simples linhas melódicas.

O gênero combina as tendências da música dos anos 2000 de se voltar para música retrô dos anos 80 e (na música indie) o uso de sons ambiente, com pop moderno, como no electropop, post-punk revival, psych folk, nu gaze e witch house. (Fonte: Wikipedia)

WitchHouse (Chamado também de dragou haunted house): É um gênero da música eletrônica de som e estética visual obscuro que surgiu em meados de 2000. Suas influências vem da técnica de mixagem do hip hop da década de 90, das paisagens sonoras de dark ambient, e de experimentação noise e industrial, do uso frequente de sintetizadores, drum machines, samples obscuros, repetições monótonas e pesadamente alteradas, sons etéreos e vocais indiscerníveis. Visualmente remete a estéticas de ocultismo, bruxaria, xamanismo e inspiração em artes de horror, colagens e fotografias. (Fonte:Wikipedia)

Artistas do Gênero: ∆AIMON, BalamAcab, BATHAUS, Blvck Ceiling, BRUXA, CRIM3S, Fostercare, GL▲SS †33†H, GR†LLGR†LL, Holy Other, Horse MacGyver (///▲▲▲\\\), How I Quit Crack, M△S▴C△RA,Mater Suspiria Vision, Modern Witch, Nike7Up, oOoOO, †‡† (Ritualz), SALEM, Sidewalks and Skeletons, White Ring, UNISON, X3SR.

Alguns Clipes Referência:

Vaporwave/Chillwave

MC Carol – Bateu uma Onda Forte (Hit a Strong Wave)

https://www.youtube.com/watch?v=IZF8vqvIx7Q

M A I S O N – Dreams

https://www.youtube.com/watch?v=R2WHtTFuVNw

Witch House

†‡† (RRRITUALZZZ) – Psychic Teens

https://www.youtube.com/watch?v=cudYhyx5UIA

Salem – Asia

https://www.youtube.com/watch?v=27pRb5gtb6w

Textos Essenciais para entender o estilo

“Vaporwave emula iconografia capitalista e imaginário da internet

http://www.thenewframepost.com.br/colunas/vaporwave-emula-iconografia-capitalista-e-imaginario-virtual/

“Vaporwave tupiniquim do Ursinho Blau Blau à Hiperpolítica”

ttp://www.revistafriday.com.br/vaporwave-tupiniquim-ursinho-blau-blau-hiperpolitica/

Chillwave tags no site “o esquema”:

http://www.oesquema.com.br/bateestaca/tag/chillwave/

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