A Arte Geométrica de Rogério Teiji Hirata

Continuando a viagem por entre os universos artísticos que compõem a cultura eletrônica, chegamos ao ponto da arte decorativa ou “música para os olhos”, como bem afirma Rogério Teiji Hirata. Nascido em São Paulo (Capital), esse artista incrível tem expressivo trabalho voltado à geometria sagrada, de efeitos visuais impressionantes. Desde linhas laser e imagens gigantes feitas com traços em macramê até absurdos poliedros em terceira dimensão criados ao longo de dez anos de experiência.

Fizemos algumas perguntas a fim de conhecer mais sua trajetória e visão cultural. Vamos lá!

AME: Quando e como começou o seu processo criativo?

ROGÉRIO: Acho que sempre estive voltado pra arte, mas foi na virada do terceiro milênio que a coisa se intensificou e parece ter assumido outro papel. No ano de 2001 eu ingressei na USP para cursar Ciências Biológicas, daí foram anos de muita leitura, filosofia, festas, psytrance e experiências com drogas psicodélicas. Eu estava fascinado por tudo isso, e foi nesse ambiente que assumi um relacionamento com a arte que dura até hoje. Encarei o fato de que para cumprir minha missão teria que me esforçar muito para fazer da arte meu trabalho, minha diversão e meu estudo do mundo. Tive apoio da família, dos amigos e de coisas que eu nem fazia ideia que existiam naquela época. Resumindo bem, foi assim o começo…

AME: Quais suas Inspirações?

ROGÉRIO: Uma conversa, uma viagem, um filme, uma música, uma dor, um amor, um relaxamento… A vida inspira de forma misteriosamente divina.

Festival Mundo de Oz - FMOz7 (Foto By: Rafael Benitez Fotografia)
Festival Mundo de Oz – FMOz7 (Foto By: Rafael Benitez Fotografia)

AME: Quais outros artistas o inspiram?

ROGÉRIO: Os que notadamente já sacaram a solidão que é a Arte. E não pularam fora.

AME: De onde surgiu a ideia de trabalhar com arte geométrica?

ROGÉRIO: Nunca fui nerd, mas sempre gostei de geometria na escola. Nada complicado também. Normal. Quando criança eu construía os sólidos platônicos em papel, com auxílio de um livro da enciclopédia “Mundo da Criança”. Lá tinha umas ilustrações do Escher que me fascinavam também. Tive fases de empenho no origami, na universidade me apaixonei pelos fractais, uma infinidade de pequenas coisas que acabaram me deixando marcas. E lá para o  ano de 2003 o psytrance se mostrou o grande laboratório, onde todos esses e outros traumas que eu carrego podiam viver numa boa. Dentro desse meio, me influenciaram muito o trabalho do Avikal, Marcelo Jaz e do César Franzói.

Papel, Canetas 0.7, recorte, dobradura, colagem
Papel, Canetas 0.7, recorte, dobradura, colagem

AME: Quais foram os seus primeiros trabalhos?

ROGÉRIO: Foram um pano e uma peça de linhas, para umas festas que uns amigos da faculdade produziam. O nome da festa era Biodélica (não é Biodelic…), e rolava no centro acadêmico de Biologia, na Cidade Universitária. Especiais demais, saudade enorme.

Biodélica 2008 at University of São Paulo (USP) Photo by Silvio Sato
Biodélica 2008 at University of São Paulo (USP)
Photo by Silvio Sato

AME: Quais seus momentos inesquecíveis, profissionalmente?

ROGÉRIO: Só alguns:

  • A semana que pintei o primeiro pano “Universo dos Cogumelos”, em 2004.
  • Quando Juarez me convidou pro Universo Paralello #6, quando foi tocar na Klatu.
  • Dia que recebi uma grana pela primeira vez decorando uma festa. Foi numa REZpect, balada de PsyTrance voltada pra colônia oriental e afins, em São Paulo. Eu não tinha cobrado nada, mas me falaram que fez toda a diferença na festa, e que eu levava jeito pra coisa. Falaram pra eu seguir em frente que o futuro prometia.
  • A construção do “Bicho-do-Coco” e da  “Flor-de Lótus” com meu amigo/parceiro César Franzói, no Universo Paralello #7 e #8, respectivamente.
  • Montagem da pista 303 no Universo Paralello #12, ao lado do Zion,meu filho de 2 anos, e de uma equipe de amigos do coração. Lá, nas areias de Pratigí, pela primeira vez na vida eu ou vi meu filho dizer pra mim: “papai, tô feliz”.
reZpect 2007, DJ Smoke Machine
reZpect 2007, DJ Smoke Machine

AME: O que ambicionas? Qual seu projeto para o futuro?

ROGÉRIO: Meu filho Zion Haruki Hirata. Ele não é um “projeto meu” exatamente, mas estar ao lado dele, viajar com ele, lutar, conversar, ser um bom pai, é isso que quero hoje em dia. E isso é indissociável de todos meus projetos com a Arte. Ser o pai que quero implica em estudar mais, trabalhar mais, viajar mais, investir em projetos maiores.

AME: Seu trabalho tem influências fora das artes geométricas?

ROGÉRIO: Esteticamente, acho que meu trabalho é muito influenciável, mas sou incompetente em dizer quais são minhas influências e de onde vêm exatamente.

AME: Qual sua opinião a respeito da importância das artes decorativas para a cultura da música eletrônica?

ROGÉRIO: Arte decorativa é música para os olhos.

Vagalume Records Party 2008 Photo by Silvio Sato
Vagalume Records Party 2008
Photo by Silvio Sato

Você pode conferir mais arte aqui:

Geômetra Nova Arte no Facebook

Geômetra Nova Arte


 

 

Imagem Destacada: Fernão Prado.

Anúncios

3 opiniões sobre “A Arte Geométrica de Rogério Teiji Hirata”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s